sábado, 10 de março de 2007

Omelete "Mercado da Esquina"

É aquela feita em um arroubo de loucura gastronômica, tido quando não se tem quase nada no bolso. Aí você raciocina: "o que eu tenho em casa"? No congelador, umas tiras de kani-kama e um queijo colonial que, de tão bom, você come bem aos poucos; quatro ovos de galinha; uma cebolona enorme que, bem conservada, dá inteira para uma semana de refoga. Continua: "do quê eu preciso"? De um toque de nível, alguma coisa vegetal interessante que caiba na idéia de omelete (que em casa só tem manga e maçã e você não quis chegar a esse ponto de exotismo). Posto que aspargos são caros, vai o vidro de pepinos em conserva da promoção, um pimentão verde, um tomate italiano que é um dos poucos intactos da hora da xêpa et voilà. Estão lá todos os ingredientes.
Então você, delicadamente, corta tudo em fatias fininhas (o pimentão, pepininhos e kanis) e cubinhos (tomate, queijo, cebola), mistura tudo, mais os quatro ovos em um pote, dá-lhe uma pitada de sal e... que temperos colocar? Aí é que a coisa pode estragar, pois você é uma daquelas pessoas sem noção que, na falta de conhecimentos culinários, acha que meter-lhe ervas e mais ervas é que é o classudo da coisa. Não. Não é. Mas não resiste ao mesmo exotismo que lhe poupou de mangas e maçãs e põe, além de uma erva seca que você não sabe direito se é manjericão ou orégano, gengibre e canela!

E frita numa frigideira sem cabo, fazendo malabarismos para alternar os lados em uma assadeirinha redonda.

É sábado à noite e você reza pra não ter uma indigestão.

Mas não, dá tudo certo. Ficou uma diliça. E, de tão gordinho, dá na boa para duas pessoas famintas ou quatro pessoas comedidas.

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